segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quando me chamaram de profe

Dia da Dança 2010


Vejo a alegria nos olhos dessas crianças e percebo que quero envelhecer e ouvir um dia na rua:
"-Filho, essa foi a professora que me ajudou a ser o que sou."

A certeza de uma escolha


É quando a gente afirma que quer algo certo para a vida.
Já sabia eu que queria amar. Já sabia eu que queria compartilhar meus melhores momentos com alguém destinado a mim.
Queria eu ter a certeza de poder fazer da minha vida algo que prezo. Vivo para minha aprimorar minha profissão. Em minha profissão lapido conhecimentos para minha vida.

sábado, 26 de junho de 2010

Flower is a flower is a flower is a flower.

Já dizia Gertrude Stein:
"Rose is a rose is a rose is a rose".
Sem necessidade de saciar a semi-ótica, apenas desfrute do olhar, da posição, de um momento "eternizado" em fotografia.
Fotografia: possibilidade de compartilhar com outras pessoas vivências oculares.

Encargo para uma romântica

Apresento-lher a vida de uma mulher. Ela tão compenetrada, tão aguerrida. Uma rosa, um tanto desalmada, linda, mas ferida. Ela Fixa, observa a todos com seu olhar úmido. Fascínio intrigante. intensa. Não desvia, não pede licença. Segue sem pudor. Exibe tudo de si, não respeita os limites daqui. Uma deusa que hipnotiza sem motivo aparente. Só quer saber de sua pureza. Sim! A pureza e índole de quem passa. Ela só procura alguém que simplesmente olhe sem cobiça, sem maldade. Nobreza de natureza. Mas dos que não seguem esse perfil, ela amaldiçoa. Encanta, enfeitiça. Maldição de não mais completar planos. Terrível, diga você, não poder completar planos. É tão triste a insatisfação humana. Torça que nunca passes por ela. Melhor... busque a candidez.

Amor a um homem

As coisas se transformam.
O segundo passou e virou passado.
Lembrança. Olhar brilhante da criança.
Paro e quero de volta. O teu abraço, teu carinho.
Tão aqui do lado e já não nos notamos mais.
Homem que será sempre o mais importante de minha vida.
Tantas vezes chorei por ter saido e não ter me despedido.
Penso em quando ficares velhinho, só quero poder te acompanhar.
Nesse presente quero que seus sonhos possas realizar.
Aproveitar que ainda as pernas respondem e pensas claramente.
Teu sorriso marcado, nem sempre notado, mas sempre presente.
Sei que pensas em mim o tempo que podes.
Me deixastes viver livre pra pôr em prática o que me ensinasse.
Disse: "Viva! Mantenha seu olhar infantil, sua inocência competente.
Fique sempre atenta ao ambiente. Ouça,
mas não acredite em tudo que é gente.
Ame sem limites. Se arrepensa só do que não fizestes,
também do que não pensastes."
Ao homem que mais prezo, agradeço minha vida.
Pai, eu te amo!
Entenda que não é sempre que consigo demonstrar.
O mundo caleja. Eu fiquei fria.
O que falas eu confio, sigo, mesmo de forma arredia.
Sou pedaço de ti, logo também sou você.
Eu tenho reflexos de ti, de tua personalidade.
Só lembre-se, por favor, que tem vezes que não aceitamos coisas.
Coisas que formam o que somos.

Inundação por palavras

Na vida tanta coisa muda. Pedras rolam, mas tem as que ficam paradas. Atravancam caminhos, impedem passagem. A água move, empurra, mas não desfaz a pedra. A cachoeira com a gravidade em suas quedas, atinge tão fortemente as pedras paradas lá de baixo. Pra quem vê é um fenômeno fabuloso. Água que cai. Respinga na minha nuca e me faz relaxar. Faz sentir calma. Assim faz da mesma maneira que as águas caem nas pedras. Duas situações. Água que purifica. Brilha ao raio de sol. Que batiza. Agride com sua beleza força.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Condições precárias da Av. Herbert Halder - Distrito Industrial



No dia 17/05/2010, os moradores e empresário da Av. Herbert Hadler se reuniram para realização de uma mobilização para alertar a Prefeitura e órgãos responsáveis pela administração pública, sobre o estado caótico dessa rua. A resposta não foi nada satisfatória: NÃO HÁ PREVISÃO DE ASFALTAMENTO. Em época de chuvas é terrível o barro que fica, sendo humilhante a situação de tráfego de pedestres, já que não existe pavimentação. Já registramos essa situação nas caixas de e-mail do Fala Pelotas. Agora os moradores elaboram um protesto maior, demostrando a indignação e alertando outra vez as entidades responsáveis na defesa dos nossos direitos.
Essa reivindicação é de interesse de todos pelotenses. Pois como uma empresa de fora vai ter interesse de instalações na área INDUSTRIAL da cidade, que sequer condição básica de tráfego possui?

Registro de mesmo âmbito no blog AMIGOS DE PELOTAS
http://www.amigosdepelotas.com/2010/05/voz-do-leitor-estrada-ruim-no-distrito.html

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tanto te espero pra nada perder

O tempo do momento. Do vento. Do caminho. Do lento.
Teimoso, frágil, cheiro forte. Demora. Ainda insiste em fica,
em se eternizar.
A saudade que dói, que fica, dá frio, mata, faz morrer sim.
Demora outra vez, mas quando se encontra impulsiona,
anima,
realça, brilha sem fazer nada.
Só olha e já passaram horas.
Agora faz chorar
de rir,
o tempo da respiração é frequentemente rápido.
Não precisa esperar mais.
É só pedir a eternidade
que se mantenha até
querer ou pedir para acabar.
Não deixe que eu mais espere para amar, pra doar o que mais tenho.
Já pediram que o tempo desaparecesse, que eu morresse.
Mas tempo nenhum faz esquecer, faz apagar pedaço de vida vivida.
Quem viveu em um tempo, conviveu com um mundo.
Impossível
extinguir o que já se foi.
São muitas lembranças de muitas crianças, várias moças.
Nada provável fazer cúmplices e álibes matar o tempo.
Nem um pouco possível, nem nada.

Eu, me desculpe.

Esperar o provável.
Rendável conhecer.
Entender um instante.
Marcar um universo.
Olhar em um mirante.
Bailar o som instigante.
Valorizar um detalhe.
Conhecer o ali.
Provar o desconhecido.
Amar um sorriso.
Retribuir ao indigente.
Falar sem ser ouvido.
Ouvir escondido.
Contar com o inimigo.
Se opor ao sentido.
Ignorar o vivido.
Louvar o complexo.
Sonhar com sexo.
Gostar do México.
Cozinhar a esperança.
Dançar com uma medusa.
Usar tua vontade.
Abusar do indisposto.
Não querer a resposta.
Procurar Josefa.
Zelar pelo bom gosto.
Expor o escondido.
Debochar do experiente.
Rir da própria gente.
Entre trocas vai vivendo. Aprendendo.
Pra que conhecendo?
De um mundo tão pequeno, sou desbravador minúsculo,
mal sei o que é um crepúsculo
quanto mais entender uma tradição ou uma constelação.
Fico rodopiando na calçada esperando me chamarem pro café.
Já não espero que me convidem,
pois sumiram com a delicadeza e a gentileza que estavam em cima da mesa.
Se voou, se levaram, não sei.
Só sei que não se usa mais.
Quero um comportamento de duquesa.
Mas minhas vida não é da realeza.

Prelúdio de um acróstico

Pode o tempo ser tão lento.
Dou a vida por um momento.
Um oi, um pedido, um casamento.
Mais um minuto é um tormento.
Meu corpo fica ao relento.
Se demorar me arrebento.
O carinho pede, eu amamento.
A emoção sobe e digo o juramento.
Quero pra sempre o que está ocorrendo.

Digo

Tanta dúvida. Tanto gosto. Confundo até com desgosto, confesso. Entender..nem sei se é necesário. Envolver? Sim! Me entregar de corpo e alma para um ser humano. Incapacitados nós de compreender tanta coisa de nossos seres cheios de cinética e misticismo. A desgraçada oposição, contradição, ambiguidade e dicotomia dessa "vida". Tenho um sentimento que te demonstro em meu sorriso. Tenho um abraço quente que te oferece abrigo. Não sei se é encanto ou decidido, essa trajetória que vivemos pelo destino. Destino traçado ou escolhido?
Luíz Manoel: ser amado ou amigo. Digo que os dois. Afirme comigo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Neblina no travesseiro

É bobo. Inacreditável, doentio. Talvez nem tanto. Quem sabe nem seja. Fico duvidando. Fico querendo que tenhas. Bobagem!
Mas não é tolo sentir-me egoísta para contigo. É só um querer cuidar. Mesmo longe, mesmo raro. Raro precioso. Ser inigualável. Claro que existe cobiça. Claro também está que tenho a singela autoridade ao chamá-lo de meu.
Ciúmes é isso. Ruim por saber que é originário do egoísmo, da desconfiança esse sentimento. Mas gosto e aprecio te querer pra mim. Só pra mim.
É a certeza dada pela incerteza. O não sabido do que está longe e acontece agora. É sim possesão. É sim contradição. Mais ainda exatidão no arder da paixão.
Só mais uma mensagem pra você. Pra ler achando que é assim. E confirmo. Concordo com minha insegurança. Demonstro confiança, liderança. Mas no fundo sou apenas criança.
Não é brincar de amar, mas é te amar no tabuleiro da vida. Jogo é brincadeira. Mas mesmo assim, crianças não gostam de perder.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Marcas do corpo

Embora cada indivíduo desse planeta seja único, a necessidade de cada um "ser do seu jeito" faz com que procure objetos que o caracterize melhor. Falamos com uma entonação, velocidade. Da melhor forma que identifique, também, usa-se roupas que visualmente mostrem esses aspectos individuais de princípios de vida. Essas e outras maneiras de personalização, são atitudes que escolhemos para reforçar aos indivíduos de nossa familiarização o nosso way of life e para que na rua percebam e identifiquem previamente uma tribo a qual pertencemos ou simpatizamos.
Alguns optam por usar roupas exuberantes, outros de uma cor só, outros de um modo assustador e a grande maioria prefere vestir-se de maneira discreta. Ainda assim, em algumas peças, acessórios que este utiliza, podemos pré-identificar qual seu gosto musical, preferência de cor, se a pessoa é mais aberta ou reservada, descontraida. Infinitas características que pré-identificamos apenas ao ter uma primeira imagem de uma pessoa. Já se temos oportunidade de conhcê-la melhor, com sua posição sobre os assuntos, sua maneira de falar e seu vocabulário, podemos perceber seu nível de conhecimento, se esta é tímida ou falante, misteriosa ou fala sem segredos. Várias outras coisas descobrimos em um curto pedaço de tempo, se formos analistas.
Mais uma forma de reconhecimento do particular, dos sentimentos e registros de vida da pessoa, está no que ela valoriza e que em seus momentos individuais ela pratica. Como gostar de um tipo de música, praticar algum esporte, entre outras atividades. As pessoas quererm exibir esses fatores, comunicar visualmente seus desejos e caprichos (considerando esses fatores: roupas, maquiagem, bady, tatoos, corte de cabelo, pintura nas unhas, etc).
A sociedade ainda discrimina as pessoas "não discretas", as que querem e se sentem bem utilizando seus fatores que possibilitam essa comunicação visual. Em qustões de tatuagens, esses símbolos pessoais surgem da associação que o indivíduo estabelece entre um desenho, uma forma, e o sentimento, a sensação que determinado fato lhe causou. Como essa associação se dá de forma absolutamente particular, o real significado de qualquer uma dessas marcas corporais só é totalmente compreendido pelo indivíduo que a possui. Considerando essa explicação, espero que compreendas minha escolha.

Novembro de 2008.



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Para maior esclarecimento, essa é uma carta que escrevi para meu pai. Redigi dias antes de agendar um horário no estúdio de tatoo. Eu tinha 17 anos e minha mãe assinou a autorização. Quando cheguei em casa meu pai disse: "Tu fez isso!?" e ficou dias sem falar comigo.
Relato de uma pós-adolescente.

(texto resgatado para colaboração para um leitmotiv de uma futura coreografia)

Trapézio - Pitty

Eu queria era dizer diferente
Aquilo que todo mundo sente
Mas não consegue expressar

Meu trapézio balançando lento
Preso bem lá no firmamento
E eu eu tentando me equilibrar

Eu sei é uma visão estranha
Mas o cara dos sonhos teve a manha
De me mandar essa imagem antes de acordar

De manhã ainda meio zureta
Com rímel até a buchecha
Lutando pra tentar me lembrar

Do que fiz a noite passada
Se foi tudo ou quase nada
Além das tequilas no bar

Geralmente não há nada de mal
O problema é a ressaca moral
Quando essa "frida" vem me visitar



Ontem eu era leve faceira
Hoje eu nem me lembro das besteiras
E às vezes melhor nem lembrar

Só lembro com exatidão
O copo, o sal, o limão
E depois meu trapézio no ar

E depois meu trapézio no ar
E depois meu trapézio no ar

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Que momento! (como diria minha amiga Mônica)
Dividindo com vocês tudo que eu acho interessante. Essa é uma música da Pitty (que todos sabem que sou fã).

domingo, 9 de maio de 2010

Assim:

Um instante.
Um recorte de infinito.
Um pedaço de tudo que eu sinto.
Sentindo-me ninfa, com asas cintilantes e hipnotizadoras. Com corpo macio e escultural. Sentindo-me com um rosto mágico, resuminte de todo encanto que meus ohos transbordaram. Senti-me deusa. Senti-me a mulher mais amada. Sofri a reação de tuas mãos. Movendo, movimentando. Moção fluindo para o bem maior. Virtuosos corpos que se amam. Agindo como para conquistar. Quase inútil intenção, pois já são um do outro os corações. Próprios e originais para si. Foco, objetivo e a mais perfeita trajetória. De um sorriso tímido a um pedido. De um sim intrometido, fugindo do não perigo. Correndo pra fora de mim, como uma montanha discreta. A sombra desenhando nosso contorno... imprensionante expresão amorosa.
Mãos suaves, pés deslisantes, corpo transpirante. Olhar comovente, de um rosto que parece assustado. Parece amante. Parece encantado. Surpreso também, mas nem um pouco incomodado. Acariciando a satisfação, ego e luxúria, sem nenhum pecado. Ao entender o presente dessa vida, entendemos o recado.
O poema, a dança e a canção. Componentes de um dia de lua, um dia na rua. Um dia em que o fabuloso foi marcado por um abraço, por beijos, por acaso.

domingo, 2 de maio de 2010

Entregue a disposição


Dias atarefados, dias de mesmice. Cada coisa em um horário. Sempre os mesmos horários. Ute, cotidiano complicado. Rotina deslumbrante. Vendo as casas do trajeto, sempre das mesmas cores. Sempre os varais cheios de roupas. Outra vez e sempre os cães no meio da rua, clamando um resto de vianda ou um assovio humano.
Realismo da realidade.
Embarco no velho ônibus fedido de todos os dias. Observo as velhas senhoras que não se dão mais o devido respeito. Prostituindo a imagem de seus peitos caidos para os motoristas. Oferecendo o pouco frescor que aida lhes resta para ter a fórceps o que deveria lhes ser comumente oferecido. O carinho do falecido marido nunca existiu. Recebia puxões de cabelo, mas não pelo envolvimento do prazer. Sim pela obrigação de seus generais egocêntricos que queriam o que queriam no momento único deles. Julgar então as velhas senhoras que oferecem seu colo a um homem que queira amá-la como mulher? Nunca sei qual ponto de vista escolher. Dois olhos em uma mesma cara. Cada um olhando seu lado. Mesmo em mim tenho dois pontos de vista. Imagine quem me olha. Quem vê cada ação e atitude minha. Se tem coisas que meus olhos e meus hemisférios discutem e não entendem, não é absurdo nem novidade que outros humanos - cada qual com seus dois lados - não assimilem também o que quero passar.
Informação? Sentimento? Aviso? Sorriso? Conhecimento? Carinho? O que querer deixar em cada aparição na rua? Se é que alguém repara na minha presença, o que deixar para essa pessoa?
Ser válido. Ter validade. Gratuita boa vontade. Intenção.

Real[idade]



Verdade?
Como saber se é verdade.
Não se sabe ao certo
por que existimos.
Nem se sabe o mínimo.
Imagine saber ao certo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

UFPel nas comemorações do Dia Internacional da Dança‏

Eu, acadêmica do curso de Licenciatura em Dança (como está em meu currículo =D) venho por meio deste divulgar as atividades elaboradas para comemoração do dia da dança.
Estaremos pela city nos movimentando. Mostrando que nosso tão próprio corpo é nossa própria arte.
Venha (re)conhecer a dança e seu posicionamento e espaço em Pelotas. Nas apresentações e debates colocaremos nossa opinião.

Estão todos convidados!


Dia 28

Oficinas de dança
Horário: das 9h às 17hs
Local: Curso de Licenciatura em Dança. UFPEL
Antigo prédio da AABB (Alberto Rosa, 580)

Inscrições e Informações: NED - Fone: 3284-5500



Conversas sobre as políticas para a dança no Brasil
Horário: 19h
Local: Curso de Licenciatura em Dança. UFPEL
Antigo prédio da AABB (Alberto Rosa, 580)



Dia 29

Intervenções Artísticas
Horário: das 13h30 às 19hs
Local: Diversos locais da cidade


Jam Sassion (Improvisação em dança e música aberto a artistas e público)
Horário: 20hs
Local: Curso de Licenciatura em Dança. UFPEL
Antigo prédio da AABB (Alberto Rosa, 580)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Graça de um sorriso

Esse sorriso que desperta do sonho.
Que desperta o olho, que desperta a vida a viver.
As vezes tão dente, pra esconder a mágoa que fica instalada.
Instalada no peito e o sorriso dificulta dizer.
Dizendo, correndo, atuando, montando a vida de forma colorida
de várias maneiras ocultando o jogo, brincando com o fogo.
Construindo uma fortaleza que impede agora, de momento
liberar, emanar toda emoção, receber seu sentimento.
Superficial e extremo.
As palavras que saem por entre as curvas macias dos lábios,
curvadas ainda mais pelo sorriso, quebrantes as mesmas palavras
ditadas ao som batente dos dentes que completam o amável, sicero
e escondido sorriso. Encanta, zela, cumprimenta, se ausenta,
chora sorrindo. Desmoraliza, analisa, ama e outra vez chora sorrindo.
Pode? Tão forte e doce. Dão-lhe razão.
Mas ninguém nunca perguntou o que tinha por dentro. Nem pudera.
Dentro da pele, em baixo e misturado com os tecidos está a história.
O que lhe fez ser assim. História jamais pronunciada.
Guardada por uma única chave: seu sorriso.

Quede graça num sorriso?

Nem vontade de andar. Comer, dormir nada do necessário. Quero o contrário, sem nem mesmo saber de onde ele vem. Quede palavras escolhidas? Quede desejo de viver?
Sumiu. Tudo some e volta. Ah, escrava Josefa. Trate de chamar aquele negrinho pra encontrar minha razão. Com a vela acesa, o fogo me encanta. Mas só. Paraliso diante dele. Tão belo, denso e orgânico. Esse que me tira o ar, me comove, me aquece. Me queima, me faz reagir. Bolhas surgindo em minha pele, só quero que me disperte. As sete da manhã tá bom. Chame-me duas vezes. Sem terceiras chances. Tolice insistir. Persistência tem que vir junto com a paciência. Angustiante esperar. Me corroendo, sem dedos para roer, sem água pra me reanimar, continua ali eu parada só olhando. Já hipnotizada, por vezes volto a perceber que estou viva. Esqueci de respirar, esqueci de forçar meu coração bater. Involuntária as lágrimas que me dizem. Me perseguem. Quando finalmente quero fugir, ficam tracejando, úmidas que são, ponto a ponto no chão de onde pisei. Migalhas igual dos contos.
Já pedi pra sumir, mas não. Vem a fome e me faz sentir abatida, mas ainda na moção da vida vivida. Só não sei se quero matar a fome ou deixar eu morrer de vez. De que adianta tantas experiências, se sempre que quero lembrar de outr'ora, movimentar a mínima intenção do sorriso, o tapa me vem a cara. Já pedi, só quero sair daqui. Pra depois voltar renovando esse lugar. Partir desse lado do rio, provar que sei nadar. Olha!: eu tenho duas pernas ainda. Tenho ainda a infelicidade de ter esperança e o sangue da batalha. Acredito que isso pode me ajudar, mas não sinto. Desolada, esquecida em mim, no martírio, angústia e infortúnio de me aturar no espelho dos olhos que me vêem. Vendo que o fracasso está tênue e tangenciando o sucesso. Pra que os dois? Não basta apenas viver? Não basta apenas sustentar seu próprio corpo. Dicotomia, paradoxos, ambiguidade trouxas. Ignorantes humanos que não sabem o que é respeitar. Respeito sem outra interpretação senão seu sentido único. Não sabem que, embora feito de carne igual a ti e igual seu próximo, tem uma história e genética milenar diferente. É! Realmente não sabe. Não sabe! É a básica e suficiente lógica de convivência. Já tudo se repete. De novo. Outra vez. No fundo tudo quer provar uma só coisa: provar nada. Sinta apenas sinta, me disseram. Mas pra que sentir? se não tenho que provar nada. Pra que sentir se não para questionar pela prova se não é necesário provar. Alguém me diz, por favor por que vivemos? Por que eu quero continuar a viver? Porque eu quero continuar a viver.

terça-feira, 16 de março de 2010

Blues, rock, jazz

Um dia para comemorar. Nenhum motivo aparente.
A descoberta de dois corações latentes. Uma só razão.
Dia que nasce quente, anoitece assim. Inteiro só pra nós.
Do black out dos momentos antescedentes ao raiar
até o que antescede total escuridão, inteiro só pra nós.
Você que me ama de longe, me abraça por pensamento.
Beija me olhando. Toca sussurrando. Agora até a eternidade
na overdose do encontro. Do momento até pra sempre. Eu pensando
e você a falar. Esse presente que não quero mais sair,
planejo o nosso todo resto de vida, querendo lá chegar.
Complexa ecolha do ser e estar. Ser feliz ao estar amando.
A melhor combinação. A solução. Oh, reação!

domingo, 14 de março de 2010

Sem delongas

Alho que olho na louça da louca. Ódio que arde é o fim em mim na lua no fim da rua.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Narração promenorizada

Será que vou conseguir descrever? Começo pelo que cheiro. Começou com um tom seco, bem árido. Estava quente a temperatura do ar e solo. Minha cabeça tonta de varidades de assuntos a tratar, calou miha boca. Pode entre a dualidade infinita e total desse mundo ocorrer o neutro? Se sim, assim me encontrava. Vegetativa em meu físico. Mas os sentidos estavam ativos, preparados para captar. Sentia o ar abafado, quase sem umidade rasgando minhas narinas. Até que a primeira gota senti em minha testa. Distraiu meus atarefados e ocupados pensamentos e pro céu olhei. Fui até o alto da nuvem que me cospiu sua graciosa gota. Sem perceberminha mente foi brincando no meio dela. O ar de lá...tão agradável. faz sumir sequidão, some preocupação, areja o cérebro e sangue.Cheiro que não dá pra dizer. Mas se assim fosse, seria como se cheirasse capim recém cortado, terra ao receber chuva junto com roupa lavada, mais flores e pele de bebê. Não é doce, mas suave. Não é frote, mas marcante. Um cheiro que nem sei se é de verdade. Realmente, não é. As gotas se multiplicam e ampliam sua força e meu corpo traz minh'alma que estava distante. Acorda! Foi o que ouvi das pétalas das flores dos vasos do jardim da minha casa. Dispertei. Mas fiquei parada. A chuva me banhando. As gotas virgens, por nada tocadas, traziam o cheiro perfeito da tranquilidade da arena nuvem alta do céu. Ergui minha face, num pedido de receber o carinho das gotas vindas da nuvem. A intensa chuva naquele extado momento cessou. Os olhos que estavam fechados, focando a percepção para o olfato, agora despertam. Procuram entender o que acontecera. Meu pedido não foi atendido. E as nuvens? Não mais estavam em cima da minha cabeça. Só quis sentir outra vez o sereno sentimento de paz que lá senti. Não tive tempo para o sentimento de pesar ou angústia pois na minha frente, ao horizonte estava a mais bela obra uqe já pude contemplar nessa vida. Em primeiro plano estavam as folhas com as gotículas ecorrendo e o brilho contilando com os raios tímidos - ainda - do sol. Pouco a poucoiam radiando mais e mais, tornando muito claro o céu, mas ainda estava nublado. Uma camada preenchendo todo azul celeste de tons foscos e indefinidos. Bem perto do chão estava a bola laranja. Era o pôr do sol mais alucinante que já presenciei. Já a lua se pronunciava por entre o mesmo lençol celeste. Num desfilar charmoso, totalmente elegante e magnifíco. Dizendo a todos com sua brilhosa presença quem é a protagonista da noite. O mesmo horizonte que antes observei pelas chamativas cores, agora se resumem em tons escuros e bem próximos. Os objetos se hachuram de preto, virando apenas sombras, ofertando suas cores do dia para o brilho extremo da lua poderem assistir. Cada momento com sua delicada e tênue diferença. impossível escolher o mais belol. Mais impossível ainda será rever essas obras perfeitas, dispostas em um mesmo dia em intervalos tão curtos de minutos. Meu corpo só recebe. Sem reação alguma, somente sinto. Percebo toda lição que as obras e o artista pretendiam me ensinar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ela: graça e força

Ah, ela! Que o tomou em pequenos e demorados goles, degustados até a última papila se enjoar. Dia o abraçava, queria e pedia aos suplícios seu amor. Dia outro o desprezava, fingindo não existir. Saudade das repentinas trocas desprogramadas de humor. Sei que não foi o mais gentil, puro e delicado homem, mas mulher, ainda o olhe, por favor. Dessa vez vi que não se importava de por ti se curvar. Aprendeu a reconhecer essa grandeza. Teu sorriso mesmo insípido, arranca delírios. Teu bocejo que leva ao rosto tua mão - linda, macia, cheia de dedos, desenhando incopiável e bela coreografia. Essa boca liberta sons, palavras, cantigas, lamúrias, risos bobos do vinho que te causou alterações. Nada faz desvirtuar tua nobreza. Mulher iluminada. Mulher graciosa. Cansada, mas perfumada. És a que já foi tantas vezes paquerada na juventude e ainda és, em sua recheada experiência. Tolos os homens que desmerecem seu ser, valorizando só para o ninho. Não aprendeu ainda. Desculpe, mulher. Eles não sabem o que dizem. Quando se embarbecem - ridícula fúria - é porque de ti sentem inveja. Inveja da dor do parto, do corpo forte, cheiroso e delicado. Dos olhos que soltam gritos a cada lágrima, mas contagiam e emanam alegria ao despertar do descanso noturno. Também invejam o abraço e o beijo da filha a ti dado antes de ir à escola, que no pai já não mais dá. Mais ainda sua imensa bravura ao provar que é sempre possível. Tudo. Seu jeito, ideias, soluções fantásticas. Desculpe os que não entendem as vezes. Mas quero por todos agradecer a existência de ti, mulher. Sou mulher recém apresentada. Recém assumi frente ao espelho: - Mulher! Aos meus 19 anos quero esbanjar a vitalidade total do sangue feminino. Dedico essas palavras às mulheres que embelezam o mundo, influenciam e inspiram ser o que sou, principalmente minha mãe.

Supresa! Bom dia!

Sem precisar esconder ou fantasiar,
nem prometer. Apenas declarar.
No encontro os olhos relusem. O dia engrandesse.
O sol que ilumina, faz o dia mais longo.
A tão esperada sensação de não perceber o tempo.
Agradável irresponsabilidade de esquecer o mundo.
Beijar: acariciar meus lábios com os seus.
Sentir: viver o intenso no minuto de um tudo.
Teus olhos que não canso de olhar. Me arrepio só de lembrar.
A mão quente que chega com os dedos. Suave.
Continuam o carinho e agora me seguram.
Me dá a mão na promessa do laço imaginário
de um casamento da alma.
Tudo afirma. O que tem dentro do corpo entra em loucura.
Bate forte o coração, pulsa forte os músculos do pescoço,
do pulso, as maçãs e pálpebras.
Num desmaio, um momento ausente.
Tua conquista agora é me despertar.
Igual aos contos de fadas. Sem tragédias, sem tristezas.
Apenas espero o beijo para meus olhos te olharem.
O certo amor que já entregue, aumenta a cada palavra.
O que parecia já enorme, imensurável
me deixa sem palavras, derretida de paixão.
A mulher tão acostumada é surpreendida.
Ao toque, olhar, beijo, tom e rosa, completas meu vazio.
Num sopro de outono, saudade que me dá.
Dorzinha gostosa de se ter ao te ver ao longe se despedindo do dia.
Para casa. Guarda-te para outr'ora. Repousa.
Dorme, que amanhã o dia e outra noite nos aguardam.
.
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...24/02/2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Meu par que torna-nos um só

Na sombra das 16h de um dia muito quente. Ali a continuação das perguntas. As mais elaboradas e objetivas vieram. Esse teu quase modo desbravador querendo me descobrir. Delicado tentando me sentir. Não toca mas me belisca. não me beija, mas me atiça. O sorriso que me encanta,s eleção de palavras que me engrandessem. Me liberto nesse abrço que me prende. Um olhar. Os olhos que me olham bem a frente. Desafiam. não desviam, não deixam de me procurar. Eu fazendo de tudo para que me encotrem. Dos olhos para a boca um segudo é a distância. Observo porntiro.Face, ação, cenário, contexto do roteiro. Perfeito conto da vida-destino. Está escrito e não sabemos e vivemos no improviso. Contando histórias do passado pouco distante e já esquecido. Lembrando o futuro a ser vivido. Toda afirmação no silencioso e tranquilo beijo macio. Das insistentes perguntas às carícias das bochechas tuas. O tênue espaço do antes e agora, igualmente tangenciam o paraíso e tua presença. De várias maneiras te decifrando. Quem me perguntava agora se distrai. As questões minhas saciam as tuas e minha próprias inquietudes. Nas palavras que o sorriso resumiu, firmou-se o que eles já sabiam, só que a gente tardou. Dos poucos dias do começo de um novo tempo só tenho a agradecer. Por mim, por ti. Pelos batimentos que ocnfirmam eu e tu estarmos vivos. Pela carne e ossos que permitem nos tocarmos. Pela garganta seca que pronuncia o que minh'alma não cansa de dançar. Pela tua alma que hoje é meu par.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Overdose de sentimentos. Por Luiz Manoel

As palavras a seguir merecem todo o respeito e ganham toda minha atenção quando em frente a mim elas aparecem. Vindas de um coração lindo que faz completar-se com o meu. Vindas também de uma boca doce, macia e rosada que quero pra sempre tocá-las. Agora com a certeza de ser minha. Depois de minhas avalanches de emoções tudo estabilizou. A tão esperada bonanza.

"Dentre tantos sentimentos, sorisos e brincadeiras, uma certeza: o carinho. Minhas percepções mudaram e logo vejo o porque. Me sinto a forma mais bonita que eu poderia chegar de mim mesmo. Decido sorrir para o mundo e o mundo decide retribuir. Tudo se torna como deveria ser. O vento, que sopra a vida e as coisas imóveis, nos envolve e, então, vejo que tudo está mudado. Descubro algo para que valha a pena sorrir, me abrir. Provo do teu sabor. Meu coração se sente mais calmo e eufórico naquele breve momento entre o olhar e o beijo. Tudo girava e acontecia para que esse momento acontecesse. sinto o teu cheiro. Vejo quem realmente és: simplicidade não tão simples. A noite revela a essência pela qual tanto procurava. Minha vida parece culminar para esse ponto, todas as possibilidades viraram certezas. Quando sinto que você sente o mesmo, logo percebo qe estou em uma overdose de sentimentos. quando a reciprocidae é verdadeira (você já percebeu?), não precisamos dizer nada. O silêncio dos nossos sorrisos nos revela tudo que queremos saber. Inflo meus pulmões em uma tentativa demorada de fazer com que sua mão não desgrude do meu peito. A liberdade não se limita mais. E as limitações se libertam. Com o olhar doce de uma criança, percebo que as peças (tudo) se encaixa(m) como em um perfeito quebra-cabeça. O companheirismo que tanto procurava, enfim encontrado. Se marquei meu nome em areia ou em uma pedra, só o tempo dirá."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Confissão

Sinto na pele a realidade de quando o amor ataca. Meu coração enlouquece, sinto pulsar na ponta dos dedos. Tem momentos que tudo fica mudo. É justo para tua voz ficar nítida em minha lembrança. Começo a reagir, as tarefas estão me esperando, mas você me puxa e aquece meu corpo. É realidade, mas real dentro de mim. Eu não falo nada, nenhuma palavra, mas tua voz vem pronunciando e dizendo exatamente o que eu passei a vida esperando ouvir. Meu telefone toca e na mensagem está escrito “te ganhar ou te perder sem engano. Preciso dizer que te amo tanto.” Parece que saber que estou pensando em ti, escrevendo sobre nós. Essa união e conexão me atormenta e me acalma.

Repete o que você disse

Menina, eu te quero! Quero poder ver o sol nascendo no meio dos prédios que a janela da sala emoldura. Nesse quero estar abraçando a mais doce criatura que meus olhos puderam enxergar pela frente. Quero declamar todo verso que tu gosta baixinho em teu pequeno ouvido atento. E a cada árvore que passarmos juntos de mãos dadas, multiplicarei por nove o numero de verões dela. O resultado será o número de verões que sei que estaremos juntos. Toda novidade quero contigo compartilhar. Cada canção de amor quero a ti dedicar. Vê meus olhos. Vê! O brilho deles é pela vibração que tua presença radia. Eu peço: não tira essa força para sobrevivência de mim. Sei que já dizia a sabedoria popular que querer não é poder, mas saibas que esse querer é meu foco de vida. Agora confesse. Sei que tu quer o meu querer.

C aminhos nossos

A moda revive o passado. As músicas estão voltando a ser populares e com isso mesmo que eu tenha queimado todas as lembranças físicas, de qualquer forma em um momento inesperado é tocada a música que foi trilha sonora do nosso romance. E como surpresa retoma em tsunami tudo de bom e também as mágoas. Produto da loucura de mentes insanas preocupadas em resolver questionamentos internos e duplos sem se preocupar com o que o mundo fosse responder. Agora nada vai adiantar eu fazer para não lembrar de nós. Está ecoando em todos os plugs e caixas de som. Até mesmo Até mesmo a energia que gera eletricidade remeteu-me a lembrança nossa. Água que tantas vezes nos batizou. Que tantos vendavais atiçou. Tantas lágrimas de saudade fez rolar. O café que todos os dias eu bebo tem o teu gosto. A rua que eu passo tem a marca da tua pegada. Nas cobertas sinto teu cheiro. Nas lojas tento renovar o visual, mudar. Mas a música...de novo! Toca sem querer e por perseguição é aquela nossa. Me desespero tentando achar a saída, mas na rua passa a amizade em comum que temos. É impossível conter as lembranças, a saudade. Minha solução é dissolver tudo em lágrimas que rolam. Rolam e rolam as lágrimas. Tento de tudo mas tudo me leva a ti. Só queria saber, onde quer que estejas, se sentes eu pensando em ti. Se lembras de mim as vezes. Se alguma coisa inesperada que surge te faz lembrar de algo nosso. Pacientemente desesperada fico aguardando qualquer sinal teu. Enquanto isso vou me enganando, tentando encontrar outra boca que me satisfaça, outro discurso que me convença. Outro alguém que eu possa amar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Drummond

Um homem que genialmente se declarava a quem nunca existiu. Chorava a morte de quem não morrera. Amou estranhas mulheres, declarando-se loucamente como se fossem Vênus, Afrodite.
Um gênio que quis conhecer. Em minha poética demostro parte de minha inspiração. Confirma-se a desoroginalidade e repetência dos termos, palavras que se misturam, mas sempre serão as mesmas. O que não é igual é o tempo e a interpretação de você, caro leitor.

Procura da Poesia - Carlos Drummond de Andrade

"Não faça versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é a música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo."

Várias vezes


Meus impulsos se repetem e
me levam a um entendimento.
Uma certeza.
Mais uma vez as caminhos me levaram,
em direções variadas,
ao mesmo encontro.
Por que tantas vezes eu me lembro de ti?
Quando distraio o coração,
ele aparece.
Sinto uma saudade inconsciente
e vou ao encontro dos teus braços,
olhos,
boca,
tudo enfim.
Mas os mesmos caminhos
que me levam até seu corpo,
são os mesmos que me tiram de perto
da minha fonte de vida.

Dois ou três goles de você

Meus dias são controlados a ponto de limitar os acontecimentos a uma circunferência mensurável na palma da mão. Vem um vendaval e sopra, sopra, sopra o meu mundo e esse conteúdo catalogado de dentro da circunferência misturam-se ao que chegou com a ventania e a chuva. Entre dores, sorrisos e feridas, salvou-se tudo. Dali cresceram coisas muito rápido. O que já existia foi relembrado e melhor apreciado, o que não tinha sido entendido foi reconhecido. O novo foi luminoso, balançou minha estrutura mas desenvolveu-me um equilíbrio melhor. Uma evolução necessária que demorara a acontecer. Abandonei de vez o preconceito, deixei-me experimentar. Como uma criança que não se questiona quando ela se permite ou não. Fui encantando-me, desbravando tudo que me foi possível. Continuar isso custará bastante. Parar tudo doerá muito. Defino ser mais um temporal ou soco da vida. Rápido, forte e marcante.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Deus lhe pague - Chico Buarque

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague



- Conheçam a interpretação feita pela Elis Regina. É mais uma para pensar um pouquinho. Só pra variar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Só para confirmar

Manter a distância. O perigo é se aproximar.
Meu corpo que arde só de te ver ao longe.
Brincar de esnobe. Fingir não querer jogar.
É a fuga do almejo. Querer e se esconder.
Um passo a frente e fica impossível agüentar.
Meu lábios se apertam, os olhos não se despregam de ti.
Constrangimento algum me causa ao fitar-te por inteiro.
É desejo, é amor. Desejo de te amar.
Não canso, eu danço. Modo de te conquistar.
Saber do outro lado da história é bom.
Descobri pela tua voz que me ama.
Não se arrependa de suas escolhas.
Compromisso sem contrato. Laço sem fita.
A total confiança. Entrega do ser.

Comum entre mim e vocês

Antes todos sujavam seus dedos de sangue e manifestam sua história em forma parietal artística – mesmo sem ter essa consciência. Todos surgimos deles. Uma grande árvore de parentes somos. Nós seres com capacidade imensa de raciocínio nos deixando esquecer os modos de expressão daquilo que não entendemos, mas sentimos num dia cinzento. É sentimento, emoção. Acabamos por querer compartilhar. Aqueles que se traduzem – com palavra, desenho, movimento – não se angustiam. Mas nem todos são assim. Cada um tem sua forma de tradução. Nem sempre é compreendida pelos outros além de mim. Mas num milésimo de tempo paro para prestar atenção no estranho mundo do sentimento do outro.

Ela era expectante

Meu coração se descontrolou.
No pescoço uma corda com muitos nós.
Nós de anos de sofrimento que a vida causou.
E por isso chuva dos olhos rolou.
Abri meus sentimentos como em uma galeria.
Pessoas estranhas a mim pararam, observaram.
Teve quem não entendeu. Uma olhava e ria.
Eu que me calo frente a tudo
Não me importei mais com o mundo
naqueles pequenos segundos.
Foi tão importante estar ali
Nos teus braços encontrei abrigo.
Compartilhei contigo Esse foi o grande perigo.
Risco de explosão eminente
nós dois tão perto, frente a frente.
Teu peito se encharcou de mim.
O pior foi que não planejei o fim...
Agora vejo tudo diferente.
Já não sou mais inocente.
O teu jeito me conquistou.
Você que me ofereceu seus braços
para acalmar meu desabafo,
agora eu clamo pelo teu calor.
Fico imaginando todo dia
você sendo meu amor.
Será que tudo isso faz sentido,
e você me quer contigo?
Me responde, por favor.
- Sabe aquela que aquele dia ria?
Ela é dona de tudo em mim
Desculpe se te causei esperança
Mas não serei seu par nessa dança
Entenda, por favor.
Pensei que fosse ser diferente
Mas não vai existir “a gente”
Não recebi nenhuma flor..
Não sou seu amor.
Minha história se repete sempre
espero que daqui pra frente
eu pense um pouco mais
antes de me deixar entrar
num mundo de expectativas.

História. Apenas outra ideia.

Dentro de uma pessoa existem coisas que nada pode descrever.
O mundo é feito de segredos, coisas, tesouros, sentimentos que ninguém pode ver.
Cada ser guarda um infinito, que muitas vezes não PE descoberto por si.
Outras vezes são julgados loucos aqueles que experimentam se entender.
Foi assim desde meus dez anos. Desde que comecei a me perguntar por que viver.
Por que querer a felicidade e querer o dinheiro, pra que crescer?
Para todo lado que eu olhava era a mesma busca. A busca do mundo inteiro.
Uma vez acompanhei o crescimento de uma plantinha.
Acreditei que era a única coisa que eu tinha.
Quando dela surgiu um broto, um turbilhão de coisas eu senti.
Não sabia se eu ria, gritava. Na frente dela, em silêncio fiquei. Parada ali.
Num minuto chorei, mas não entendi. Me perguntei: - Por que chorei?
Sem resposta fiquei.
Alguns anos passaram e cada coisa que acontecia eu analisava.
Me retornava na lembrança o dia que, sem saber, eu chorava.
O mundo particular que criei. O nascimento de uma vida. O meu carinho.
Como surgiu a amplitude da minha reação que me impressionou.
E outras situações apareceram e aquele vulcão retornou.
Um primeiro amor eu encontrei. Por não ser mútuo, outra vez chorei.
O mesmo tremor me ocorreu, mas um sorriso não apareceu.
Cada vez mais me questionava.
Comecei a pintar, dançar, atuar, escrever e cada vez mais me calar na vida.
Não falei para mais ninguém depois de rirem de mim em uma aula de história.
Alguns me acham estranha, esquisita. Uns me perguntam se sou louca. Se sou gay.
Outros me adoram. Dizem que alegro os lugares e dou boas palavras de ânimo.
Como entender uma sociedade maluca? Os que simplesmente pensam, são loucos.
Os que seguem ordens são bons.
É onde surgem os como eu. Não temos medo de pensar, nem duvidar.
Mas seguimos em parte essas ordens (ridículas), mesmo que por contradição de filosofia.
Assim seguimos num particular isolado que inventamos.
Cada um no seu, mas compartilhando.
Sem querer nada de ninguém, nós influenciamos.
É impossível não ser assim. Mostro-me para todos e fujo de mim.
Tantos codinomes já usei nas galerias.
Meu amor verdadeiro deixei que fosse para longe.
Fiz de tudo para que a culpa fosse minha, que em seu coração não focasse saudade.
Perguntas se acumulam mais e mais e aumentam minha idade.
Que contradição minha história, onde só os sentimentos fluem.
Eles vão e voltam, nunca fixam. Lhes dou nomes. Classifico.
Alguns são comuns e já rotulados. Outros se misturam e seus nomes modifico.
Toda minha vida tive sentimentos. Há pouco entendi.
Por isso me entreguei às artes para tentar traduzir.
Arte é só um nome que significa: sentimento traduzido.
Quero mostrar em meios racionais que cada um de nós é muito.
Quem não procura entender seu interior tem medo. Medo de si.
Esse sentimento que faz julgar, ter preconceito com tudo que lhe é diferente.
Que vai de um sotaque à um abraço. Não ter uma perna e ser um gênio.
Há de existir os contrastes. Há de acontecer a aceitação.
Concordar não é obrigação. Se dispor não é uma atividade em vão.

Ideia. Apenas uma.

Acaso. Universo. Utopia. Simulacro. Futuro. Sociedade. Pessoa. Indivíduo. Homem. Ícone. Objeto. Sonho. Objetivo e necessidade. Abrigo. Vou desenhando o aleatório. Procurando encontrar. Se tocar desmancha. Se não chego perto some, acabo por não entender. Quando compreendo esqueço para não enlouquecer. Humanos seres. Loucos somos. Destruímos desde o passado. Conscientemente não queremos, mas praticamos. A escolha não é minha. Minhas escolhas já foram escolhidas antes para mim escolher agora, depois dentre os melhores restos. História particular, individual, sistematicamente manipulada por quintos. Os terceiros já são nossos amigos íntimos na rede. Gigante rede que nos conecta tanto quanto o ar que compartilhamos. Somos únicos e exclusivos dentro de uma redoma com milhões de outros inovadores pacatos e peculiares tolos. De onde vem essa vontade de entender? Por que continuar procurando se não há ninguém para ajudar a pensar também? É um aqui e outro muito longe. Mas me nego a usar esses meios. Quero resgatar o calor do toque, a relação da sinceridade quando há sua gotícula de saliva espirrando no meu braço. Sempre foi assim, mas tudo se perdeu. A tecla ajuda, mas não é só. Nem em toda mudança é necessário a exclusão completa do passado. Afinal, só ocorre a troca se existir um outro. Um outro tempo que está em coma induzido. Bom era aquele. A porcentagem da conversa pensada e falada era maior. Hoje são alienados os que não seguem a moda. Passageira moda que depois de um suspiro de flash já se torna antiquada. Mais um mecanismo de afunilar o olhar panorâmico. Já são 130º agora. Os planos particulares se parecem. O do vizinho é sempre mais bem planejado. Fixam-se e moldam o pão de forma – cada vez mais geométrico, com a mesma estampa, paladar e olfato. Quis que a Terra tremesse. Só sacudir. Desculpe de ferir. Penso que seria ótimo se todas emoções fossem (re)descobertas e polidas por nós mesmos e que não mais sejam utilizadas as quem vem em embalagens. Produto barato que faz encurtar a memória e é viciante. Todo dia no mesmo horário. Começa assim. O tempo vai se estendendo e o sistema ganha com sua participação. Você ganha o pensamento e gosto igual da grande massa já atingida. Todos acabam conversando esses assuntos no outro dia no ponto do ônibus. Por isso quis que a Terra tremesse. O tremor que causa susto, mas que modifica. Dentre as várias possibilidades de alvo, a crítica individual podia ser uma boa mosca. Assim teria a desculpa do pensamento de massa outra vez, mas para causar evoluções internas aparecendo nesse cotidiano. A espiral da evolução da sociedade universal seria ampliada cada vez mais e que bom se fosse recheada com ideias mais pensadas.