segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Confissão

Sinto na pele a realidade de quando o amor ataca. Meu coração enlouquece, sinto pulsar na ponta dos dedos. Tem momentos que tudo fica mudo. É justo para tua voz ficar nítida em minha lembrança. Começo a reagir, as tarefas estão me esperando, mas você me puxa e aquece meu corpo. É realidade, mas real dentro de mim. Eu não falo nada, nenhuma palavra, mas tua voz vem pronunciando e dizendo exatamente o que eu passei a vida esperando ouvir. Meu telefone toca e na mensagem está escrito “te ganhar ou te perder sem engano. Preciso dizer que te amo tanto.” Parece que saber que estou pensando em ti, escrevendo sobre nós. Essa união e conexão me atormenta e me acalma.

Repete o que você disse

Menina, eu te quero! Quero poder ver o sol nascendo no meio dos prédios que a janela da sala emoldura. Nesse quero estar abraçando a mais doce criatura que meus olhos puderam enxergar pela frente. Quero declamar todo verso que tu gosta baixinho em teu pequeno ouvido atento. E a cada árvore que passarmos juntos de mãos dadas, multiplicarei por nove o numero de verões dela. O resultado será o número de verões que sei que estaremos juntos. Toda novidade quero contigo compartilhar. Cada canção de amor quero a ti dedicar. Vê meus olhos. Vê! O brilho deles é pela vibração que tua presença radia. Eu peço: não tira essa força para sobrevivência de mim. Sei que já dizia a sabedoria popular que querer não é poder, mas saibas que esse querer é meu foco de vida. Agora confesse. Sei que tu quer o meu querer.

C aminhos nossos

A moda revive o passado. As músicas estão voltando a ser populares e com isso mesmo que eu tenha queimado todas as lembranças físicas, de qualquer forma em um momento inesperado é tocada a música que foi trilha sonora do nosso romance. E como surpresa retoma em tsunami tudo de bom e também as mágoas. Produto da loucura de mentes insanas preocupadas em resolver questionamentos internos e duplos sem se preocupar com o que o mundo fosse responder. Agora nada vai adiantar eu fazer para não lembrar de nós. Está ecoando em todos os plugs e caixas de som. Até mesmo Até mesmo a energia que gera eletricidade remeteu-me a lembrança nossa. Água que tantas vezes nos batizou. Que tantos vendavais atiçou. Tantas lágrimas de saudade fez rolar. O café que todos os dias eu bebo tem o teu gosto. A rua que eu passo tem a marca da tua pegada. Nas cobertas sinto teu cheiro. Nas lojas tento renovar o visual, mudar. Mas a música...de novo! Toca sem querer e por perseguição é aquela nossa. Me desespero tentando achar a saída, mas na rua passa a amizade em comum que temos. É impossível conter as lembranças, a saudade. Minha solução é dissolver tudo em lágrimas que rolam. Rolam e rolam as lágrimas. Tento de tudo mas tudo me leva a ti. Só queria saber, onde quer que estejas, se sentes eu pensando em ti. Se lembras de mim as vezes. Se alguma coisa inesperada que surge te faz lembrar de algo nosso. Pacientemente desesperada fico aguardando qualquer sinal teu. Enquanto isso vou me enganando, tentando encontrar outra boca que me satisfaça, outro discurso que me convença. Outro alguém que eu possa amar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Drummond

Um homem que genialmente se declarava a quem nunca existiu. Chorava a morte de quem não morrera. Amou estranhas mulheres, declarando-se loucamente como se fossem Vênus, Afrodite.
Um gênio que quis conhecer. Em minha poética demostro parte de minha inspiração. Confirma-se a desoroginalidade e repetência dos termos, palavras que se misturam, mas sempre serão as mesmas. O que não é igual é o tempo e a interpretação de você, caro leitor.

Procura da Poesia - Carlos Drummond de Andrade

"Não faça versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é a música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo."

Várias vezes


Meus impulsos se repetem e
me levam a um entendimento.
Uma certeza.
Mais uma vez as caminhos me levaram,
em direções variadas,
ao mesmo encontro.
Por que tantas vezes eu me lembro de ti?
Quando distraio o coração,
ele aparece.
Sinto uma saudade inconsciente
e vou ao encontro dos teus braços,
olhos,
boca,
tudo enfim.
Mas os mesmos caminhos
que me levam até seu corpo,
são os mesmos que me tiram de perto
da minha fonte de vida.

Dois ou três goles de você

Meus dias são controlados a ponto de limitar os acontecimentos a uma circunferência mensurável na palma da mão. Vem um vendaval e sopra, sopra, sopra o meu mundo e esse conteúdo catalogado de dentro da circunferência misturam-se ao que chegou com a ventania e a chuva. Entre dores, sorrisos e feridas, salvou-se tudo. Dali cresceram coisas muito rápido. O que já existia foi relembrado e melhor apreciado, o que não tinha sido entendido foi reconhecido. O novo foi luminoso, balançou minha estrutura mas desenvolveu-me um equilíbrio melhor. Uma evolução necessária que demorara a acontecer. Abandonei de vez o preconceito, deixei-me experimentar. Como uma criança que não se questiona quando ela se permite ou não. Fui encantando-me, desbravando tudo que me foi possível. Continuar isso custará bastante. Parar tudo doerá muito. Defino ser mais um temporal ou soco da vida. Rápido, forte e marcante.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Deus lhe pague - Chico Buarque

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague



- Conheçam a interpretação feita pela Elis Regina. É mais uma para pensar um pouquinho. Só pra variar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Só para confirmar

Manter a distância. O perigo é se aproximar.
Meu corpo que arde só de te ver ao longe.
Brincar de esnobe. Fingir não querer jogar.
É a fuga do almejo. Querer e se esconder.
Um passo a frente e fica impossível agüentar.
Meu lábios se apertam, os olhos não se despregam de ti.
Constrangimento algum me causa ao fitar-te por inteiro.
É desejo, é amor. Desejo de te amar.
Não canso, eu danço. Modo de te conquistar.
Saber do outro lado da história é bom.
Descobri pela tua voz que me ama.
Não se arrependa de suas escolhas.
Compromisso sem contrato. Laço sem fita.
A total confiança. Entrega do ser.

Comum entre mim e vocês

Antes todos sujavam seus dedos de sangue e manifestam sua história em forma parietal artística – mesmo sem ter essa consciência. Todos surgimos deles. Uma grande árvore de parentes somos. Nós seres com capacidade imensa de raciocínio nos deixando esquecer os modos de expressão daquilo que não entendemos, mas sentimos num dia cinzento. É sentimento, emoção. Acabamos por querer compartilhar. Aqueles que se traduzem – com palavra, desenho, movimento – não se angustiam. Mas nem todos são assim. Cada um tem sua forma de tradução. Nem sempre é compreendida pelos outros além de mim. Mas num milésimo de tempo paro para prestar atenção no estranho mundo do sentimento do outro.

Ela era expectante

Meu coração se descontrolou.
No pescoço uma corda com muitos nós.
Nós de anos de sofrimento que a vida causou.
E por isso chuva dos olhos rolou.
Abri meus sentimentos como em uma galeria.
Pessoas estranhas a mim pararam, observaram.
Teve quem não entendeu. Uma olhava e ria.
Eu que me calo frente a tudo
Não me importei mais com o mundo
naqueles pequenos segundos.
Foi tão importante estar ali
Nos teus braços encontrei abrigo.
Compartilhei contigo Esse foi o grande perigo.
Risco de explosão eminente
nós dois tão perto, frente a frente.
Teu peito se encharcou de mim.
O pior foi que não planejei o fim...
Agora vejo tudo diferente.
Já não sou mais inocente.
O teu jeito me conquistou.
Você que me ofereceu seus braços
para acalmar meu desabafo,
agora eu clamo pelo teu calor.
Fico imaginando todo dia
você sendo meu amor.
Será que tudo isso faz sentido,
e você me quer contigo?
Me responde, por favor.
- Sabe aquela que aquele dia ria?
Ela é dona de tudo em mim
Desculpe se te causei esperança
Mas não serei seu par nessa dança
Entenda, por favor.
Pensei que fosse ser diferente
Mas não vai existir “a gente”
Não recebi nenhuma flor..
Não sou seu amor.
Minha história se repete sempre
espero que daqui pra frente
eu pense um pouco mais
antes de me deixar entrar
num mundo de expectativas.

História. Apenas outra ideia.

Dentro de uma pessoa existem coisas que nada pode descrever.
O mundo é feito de segredos, coisas, tesouros, sentimentos que ninguém pode ver.
Cada ser guarda um infinito, que muitas vezes não PE descoberto por si.
Outras vezes são julgados loucos aqueles que experimentam se entender.
Foi assim desde meus dez anos. Desde que comecei a me perguntar por que viver.
Por que querer a felicidade e querer o dinheiro, pra que crescer?
Para todo lado que eu olhava era a mesma busca. A busca do mundo inteiro.
Uma vez acompanhei o crescimento de uma plantinha.
Acreditei que era a única coisa que eu tinha.
Quando dela surgiu um broto, um turbilhão de coisas eu senti.
Não sabia se eu ria, gritava. Na frente dela, em silêncio fiquei. Parada ali.
Num minuto chorei, mas não entendi. Me perguntei: - Por que chorei?
Sem resposta fiquei.
Alguns anos passaram e cada coisa que acontecia eu analisava.
Me retornava na lembrança o dia que, sem saber, eu chorava.
O mundo particular que criei. O nascimento de uma vida. O meu carinho.
Como surgiu a amplitude da minha reação que me impressionou.
E outras situações apareceram e aquele vulcão retornou.
Um primeiro amor eu encontrei. Por não ser mútuo, outra vez chorei.
O mesmo tremor me ocorreu, mas um sorriso não apareceu.
Cada vez mais me questionava.
Comecei a pintar, dançar, atuar, escrever e cada vez mais me calar na vida.
Não falei para mais ninguém depois de rirem de mim em uma aula de história.
Alguns me acham estranha, esquisita. Uns me perguntam se sou louca. Se sou gay.
Outros me adoram. Dizem que alegro os lugares e dou boas palavras de ânimo.
Como entender uma sociedade maluca? Os que simplesmente pensam, são loucos.
Os que seguem ordens são bons.
É onde surgem os como eu. Não temos medo de pensar, nem duvidar.
Mas seguimos em parte essas ordens (ridículas), mesmo que por contradição de filosofia.
Assim seguimos num particular isolado que inventamos.
Cada um no seu, mas compartilhando.
Sem querer nada de ninguém, nós influenciamos.
É impossível não ser assim. Mostro-me para todos e fujo de mim.
Tantos codinomes já usei nas galerias.
Meu amor verdadeiro deixei que fosse para longe.
Fiz de tudo para que a culpa fosse minha, que em seu coração não focasse saudade.
Perguntas se acumulam mais e mais e aumentam minha idade.
Que contradição minha história, onde só os sentimentos fluem.
Eles vão e voltam, nunca fixam. Lhes dou nomes. Classifico.
Alguns são comuns e já rotulados. Outros se misturam e seus nomes modifico.
Toda minha vida tive sentimentos. Há pouco entendi.
Por isso me entreguei às artes para tentar traduzir.
Arte é só um nome que significa: sentimento traduzido.
Quero mostrar em meios racionais que cada um de nós é muito.
Quem não procura entender seu interior tem medo. Medo de si.
Esse sentimento que faz julgar, ter preconceito com tudo que lhe é diferente.
Que vai de um sotaque à um abraço. Não ter uma perna e ser um gênio.
Há de existir os contrastes. Há de acontecer a aceitação.
Concordar não é obrigação. Se dispor não é uma atividade em vão.

Ideia. Apenas uma.

Acaso. Universo. Utopia. Simulacro. Futuro. Sociedade. Pessoa. Indivíduo. Homem. Ícone. Objeto. Sonho. Objetivo e necessidade. Abrigo. Vou desenhando o aleatório. Procurando encontrar. Se tocar desmancha. Se não chego perto some, acabo por não entender. Quando compreendo esqueço para não enlouquecer. Humanos seres. Loucos somos. Destruímos desde o passado. Conscientemente não queremos, mas praticamos. A escolha não é minha. Minhas escolhas já foram escolhidas antes para mim escolher agora, depois dentre os melhores restos. História particular, individual, sistematicamente manipulada por quintos. Os terceiros já são nossos amigos íntimos na rede. Gigante rede que nos conecta tanto quanto o ar que compartilhamos. Somos únicos e exclusivos dentro de uma redoma com milhões de outros inovadores pacatos e peculiares tolos. De onde vem essa vontade de entender? Por que continuar procurando se não há ninguém para ajudar a pensar também? É um aqui e outro muito longe. Mas me nego a usar esses meios. Quero resgatar o calor do toque, a relação da sinceridade quando há sua gotícula de saliva espirrando no meu braço. Sempre foi assim, mas tudo se perdeu. A tecla ajuda, mas não é só. Nem em toda mudança é necessário a exclusão completa do passado. Afinal, só ocorre a troca se existir um outro. Um outro tempo que está em coma induzido. Bom era aquele. A porcentagem da conversa pensada e falada era maior. Hoje são alienados os que não seguem a moda. Passageira moda que depois de um suspiro de flash já se torna antiquada. Mais um mecanismo de afunilar o olhar panorâmico. Já são 130º agora. Os planos particulares se parecem. O do vizinho é sempre mais bem planejado. Fixam-se e moldam o pão de forma – cada vez mais geométrico, com a mesma estampa, paladar e olfato. Quis que a Terra tremesse. Só sacudir. Desculpe de ferir. Penso que seria ótimo se todas emoções fossem (re)descobertas e polidas por nós mesmos e que não mais sejam utilizadas as quem vem em embalagens. Produto barato que faz encurtar a memória e é viciante. Todo dia no mesmo horário. Começa assim. O tempo vai se estendendo e o sistema ganha com sua participação. Você ganha o pensamento e gosto igual da grande massa já atingida. Todos acabam conversando esses assuntos no outro dia no ponto do ônibus. Por isso quis que a Terra tremesse. O tremor que causa susto, mas que modifica. Dentre as várias possibilidades de alvo, a crítica individual podia ser uma boa mosca. Assim teria a desculpa do pensamento de massa outra vez, mas para causar evoluções internas aparecendo nesse cotidiano. A espiral da evolução da sociedade universal seria ampliada cada vez mais e que bom se fosse recheada com ideias mais pensadas.