Outra vez estou aqui. Olhando para o nada que teus olhos produzem, mas me prendem. No vazio daquele lugar ecoando o som desses batimentos cardíacos distintos, estava novamente a me iludir com novo olhar prisioneiro. Com todo jeito de última das românticas, com uma suavidade no toque, um calor que esquenta até mesmo uma geleira, conquistando um coração que não gosta de amar. Bobo eu que achei que era verdade. Será que nunca vou aprender? Olhos tão brilhantes sempre querem ofuscar algo que está por trás deles. São seus pensamentos pervertidos que me contagiam. Me prendem a não sei o que. Mas diga, afinal, por que me escolhestes? O que queres de mim? Não vês que o que tenho é dos meus pais, não tenho conquistas. Depois de vários minutos que pareciam nunca acabar, me respondeu. Meiga como sempre. Feminina. Brutal. Disse-me que queria apenas o amor que tinha para dar a ela. Disse que sabia que eu a amava. Queria que entregasse meu coração e minha alma. Nosso contrato e pacto seria amor eterno.
Seu corpo me seduzia, meus sentimentos tomavam conta do meu ser sem me deixar pensar. Seus olhos eram raios que penetravam nos meus e faziam com que eu reagisse da forma que ela queria. Meu cérebro estava paralisado. Certamente ela era a mulher da minha vida. A não ser pelo fato de que depois de eu concordar com nosso amor, ela segurou-me rosto como fosse me beijar loucamente e então cravou as unhas nos meus olhos, mexendo sem parar no meu cérebro, ela arrancou todo sentimento que eu havia sentido por ela. Sem ar de arrependimento, dó, angústia ou sentimento de traição ela partiu. Via seu vulto já ao longe quando retornei a mim. No momento não estava acreditando. Me perguntava porque havia me deixado levar mais uma vez por juras de amor. Mas senti pena dela. Pois ela precisava de juras de amor para viver. Eu? Saberia viver sem ela. Ficaram as mágoas, que é a única forma de recordação que ela me deixou para lembrar dos momentos que passamos. Não fosse meu corpo estar fragilizado eu correria atrás de seu vulto, para gritar: ‘Fuja! Seu coração é o mais pobre de todos que já conheci. Não sabe reconhecer e desfrutar do que tem dentro de si. És uma infeliz! Nunca conseguirás atingir a felicidade. Pois ela estaria nos sentimentos que eu poderia te proporcionar. Fuja, vai!. E agora sim, quem realmente sofrerá será tu. Fuja pra esquecer de toda a felicidade que nossa união ia te trazer’.
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